A Morte

12 de maio, 2010

O verdadeiro significado da morte é o nunca. Sofremos no egoísmo de ver nossas próprias esperanças morrerem e a mudança nos ser imposta. É o "meu" nunca mais. A morte é a única certeza de que o nunca mais vai chegar, e que o para sempre nunca será para sempre.

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RE: Peripécias da Mente: O outro

29 de outubro, 2009

> http://peripeciasdamente.blogspot.com/2009/10/o-outro.html

Hoje nas barcas um homem-massa comentou comigo como estava quente, concordei timidamente (o que acontece quando sou supreendido assim) e ele começou a ouvir música. Me senti um pouco… desconfortável de não ter sido  mais amigável ou dado espaço pra um diálogo maior. Mas foi o que disse anteriormente, essas abordagens inesperadas de desconhecidos me fazem fechar. Um dia um homem-massa da minha idade fez algo parecido, mas insistiu um pouco na conversa. No final já sabíamos de onde o outro era, porque estava ali, e onde ia beber depois hahahaha. E voltando de ônibus uma mulher-massa, baixíssima renda social, foi tão simpática comigo quando pedi licença para sentar ao seu lado, que ficamos conversando até o momento de eu saltar.

Acho que no final das contas desaprendemos a conviver com desconhecidos, a fazer novos contatos sem uma indicação ou boa justificativa. Teoricamente podemos fazer isso sempre, de maneira mais seletiva e menos invasiva (principalmente pela internet). Estamos sempre com a possibilidade de contato imediato com nossos amigos. Estamos menos necessitados de ter contato com pessoas diferentes, estamos menos "carentes". Achamos mais facilmente pessoas com gostos e concepções semelhantes aos nossos. Somos "mais auto-suficientes" também pela grande variedade de formas individuais de entretenimento, que não existiam até não muitos anos atrás.

Viajando mais um pouco, se dividirmos as pessoas por "tipo de personalidade e gostos" ou mesmo tribos urbanas, e atribuir a esses conjuntos margens, que são do tamanho da variedade das pessoas dentro desse grupo, acredito que atualmente existem muitos conjuntos com margens pequenas, mas que a tendência é a existirem bem menos grupos, mas com margens maiores. Essa minha crença vem do crescente intercâmbio de informações e menor necessidade de se identificar com grupos específicos (menor carência, maior independência) que forçava mais as pessoas a procurarem criar características em comum (ex. modo de se vestir), tornando as pessoas mais "genéricas"(pela infinita variedade) e autênticas.

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E então você teve medo (antigo)

11 de outubro, 2009

Sexta-feira, Maio 25 de 2007

— E então você teve medo. Percebeu que viver é mais do que amar, é sofrer, é ter a angústia de arriscar. Não quis passar pela penumbra. Teve medo. Preferiu continuar parada como está agora, neste momento, esperando pelos abutres do tempo para te consumirem. Não se pode abster exclusivamente da tristeza, ela está intimamente ligada à felicidade. Não amamos por medo de sermos tolos. Não falamos por medo de sermos ignorados. Não nos expressamos por medo de sermos ridicularizados. Pra que tentar, se o futuro é a morte? Afinal, essa vida é aterradoramente passageira, dediquemos o que tiramos dela para o bem maior. O futuro! Ah, futuro… mas que futuro? O futuro! O que nos ensinaram a acreditar desde sempre, e o que só uma vida correta nos permitiria ter. Tolice. Nada mais, é a voz diminuta de uma flor que nunca desabrochou. É sua cabeça voltada para o chão, para o próximo e limitado. Decepção com o mundo? Não! É com você mesma. O mundo não é bom ou ruim, ele está acima de qualquer coisa que possamos indagar. Ele apenas é. Sua tristeza vem da sua incapacidade de lidar com ele, de moldá-lo à sua felicidade.

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Alguns Me Criticam (antigo)

9 de outubro, 2009

Sexta-feira, Junho 8 de 2007

          Alguns me criticam pelo meu orgulho. Não o faça, critique-me por minha vangloriação e prepotência. Outros me criticam pela minha vaidade. Também não o faça, critique-me por meu narcisismo. Outros ainda pelo meu preconceito. Não, também não o faça, critique-me por minha discriminação. Há ainda os que condenam minhas opiniões, por favor, também não o faça, condene meus julgamentos.. não, não os condene, critique-os, se não cometerá o mesmo erro.

          Mas sempre que me criticar, lembre-se que somente eu preciso ouvir-lhe. Mas não somente me critique, me elogie também, mas que cada palavra sua seja sincera.

          Ninguém me critica por minha ingratidão. Faça-o, mas sem jamais me cobrar nada em troca. Também não me criticam por esquecer de elogiar. Faça-o, assim estarei confiante em me expressar, mas também não me cobre por isso. Peço-lhe também que me critique por esquecer de afirmar o quanto você me é importante, pelo egoísmo de guardar isso. Lembre-se sempre de me criticar pela minha preocupação com o futuro, mas não somente isso, também quando eu não luto por ele. E, mais uma vez, que eu nunca seja cobrado, mas sempre incentivado.

PS: Esse post foi escrito em 2007, em um antigo blog meu, e vai pro conjunto de textos mais antigos que serão (re)postados aqui.

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“Resposta”, de Frederic Brown (1954)

8 de outubro, 2009

Dwar Ev soldou solenemente a junção final com ouro. A objetiva de uma dúzia de câmeras de televisão se concentrava nele, transmitindo a todo o universo doze enquadramentos diferentes do que estava fazendo.

Endireitou o corpo e acenou com a cabeça para Dwar Reyn, indo depois ocupar a posição prevista, ao lado da chave que completaria o contato quando fosse ligada. E que acionaria, simultaneamente, todos os gigantescos computadores da totalidade dos planetas habitados do universo inteiro – noventa e seis bilhões de planetas – ao supercircuito que, por sua vez, ligaria todos eles a uma supercalculadora, máquina cibernética capaz de combinar o conhecimento integral de todas as galáxias.

Dwar Reyn dirigiu algumas palavras aos trilhões de espectadores. Depois de um momento de silêncio, deu a ordem:

- Agora, Dwar Ev.

Dwar Ev ligou a chave. Ouviu-se um zumbido fortíssimo, o surto de energia proveniente de noventa e seis bilhões de planetas. As luzes se acenderam e apagaram por todo o painel de quilômetros de extensão.

Dwar Ev recuou um passo e respirou fundo.

- A honra de formular a primeira pergunta é sua, Dwar Reyn.

- Obrigado – disse Dwar Reyn. – Será uma pergunta que nenhuma máquina cibernética foi capaz de responder até hoje.

Virou-se para o computador.

- Deus existe?

A voz tonitruante respondeu sem hesitação, sem se ouvir o estalo de um único relé.

- Sim, agora Deus existe.

O rosto de Dwar Ev ficou tomado de súbito pavor. Saltou para desligar a chave de novo.

Um raio fulminante, caído de um céu sem nuvens, o acertou em cheio e deixou a chave ligada para sempre.

Contos

Sobre o Conhecimento e a Educação

11 de dezembro, 2008

[Sobre o Conhecimento, Parte I]

          O foco do problema da falta de intelecto se encontra principalmente no sistema de ensino atual, começando pelo ensino fundamental para terminar no famigerado vestibular. Os alunos se deparam com uma grande quantidade de matérias que jamais serão usadas em suas vidas, e então quando não mais forem necessárias em provas, serão sumariamente descartadas. É uma perda de tempo e dinheiro, além de uma grande tolice, ensinar tanta coisa que não tenha verdadeiro valor na vida dos alunos. Esse tipo de desperdício se mostra ainda mais danoso quando levamos em conta outras matérias que poderiam usar esse tempo. Matérias como Direito Constitucional, Trabalhista e Civil, Sociologia, Psicologia e História da Arte deveriam ser adicionadas ao currículo dos estudantes.

          A três primeiras são essenciais para qualquer brasileiro. Não há um cidadão ignorante nessas matérias que não seja constantemente lesado através de seu desconhecimento. O povo brasileiro precisa ter conhecimento de seus direitos, só assim saberão plenamente pelo quê e de qual forma lutar, como se proteger dos demais, do próprio governo e respeitar o próximo. A aprendizagem de Direito requer um conhecimento mais profundo da língua, por procurar ser estruturado de forma exata, e utilização de lógica para melhor aplicação e entendimento das leis. Como um todo, caminhamos no sentido de sermos melhores cidadãos, aguçamos nosso sentido de justiça e, principalmente, aprendemos a pensar.

          Sociologia deveria ser separado de Geografia para ter um foco específico. A começar pelo estudos dos principais teóricos, tais como Karl Marx, Émilie Durkheim e Max Weber. Suas teorias tiveram notável influência no mundo e são importantíssimas para compreender a da sociedade passada e atual. Deve também ser estudada a estrutura política do Estado, como se dividem os cargos e poderes, com suas devidas limitações e deveres.

          Psicologia tem sua importância por estudar a mente do  indivíduo, através dela compreendemos melhor os pensamentos e sentimentos do próximo, além de nossos próprios. A compreensão é uma das principais ferramentas para chegar ao melhor convívio entre os indivíduos e manutenção de nossa própria sanidade. Com ela entendemos melhor nosso comportamento, de forma a poder aperfeiçoá-lo.

          Os estudantes do ensino fundamental se deparam com matérias artísticas desde o início, onde devem desenvolver trabalhos de acordo com a técnica proposta pelo professor. Esse foco tem ótima serventia para o desenvolvimento da criatividade dos estudantes desde a infância. Mas ao longo do ciclo educacional, a matéria não se desenvolve de maneira a acompanhar o aluno, ficando ultrapassada. Deveria haver uma modificação para que a matéria, acompanhando o desenvolvimento do aluno, se tornasse um estudo dos movimentos artísticos,  dos artistas e de seus trabalhos, além das mais variadas conceituações e teorias sobre o tema.

(continua…)

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Sobre o Conhecimento

6 de dezembro, 2008

          Se fechassem os olhos dos alunos e colocassem um quadrúpede falante para dar aula sobre física quântica, as informações seriam anotadas e decoradas como leis. As pessoas não são ensinadas a entender, a pensar por si próprias ou a buscar por elas mesmo o conhecimento. Não! Não! Elas são ensinadas a serem esponjas de conteúdo, decorando todas as informações dadas. Essas mesmas pessoas não julgam essas informações. E quando o fazem, usam três critérios falaciosos: aparência, conforto e prestígio. O primeiro diz respeito à resposta imediata de nosso julgamento, anterior a qualquer pensamento mais profundo. Tende ao erro por não levar, de imediato, em conta fatores que influenciam na veracidade do discurso. Um conceito pode estar aparentemente correto até que seja criteriosamente estudado e pensado, quando são esclarecidas relações que não pareciam existir. Já o conforto está relacionado aos medos e desejos, ao que a pessoa prefere acreditar, seguindo um vontade que pode ser consciente ou não. O terceiro depende exclusivamente do prestígio que o locutor tem com o receptor, a aceitação do discurso como válida está sujeita aos julgamentos que o indivíduo faz do caráter e capacidade do locutor.

          Quando o discurso já foi aceito, o indivíduo se contenta com a quantidade limitada de informações dadas sobre suas relações, consequências e sobre o próprio discurso em si. Não busca por informações que o complementem ou contradigam, não possui interesse ou instrução para pesquisar por si próprio. Um julgamento falacioso, seguido da falta de interesse nas informações, resulta em um fenômeno desastroso, a falta de compreensão. Esse é o maior predador do intelecto, o que nos torna verdadeiramente humanos. Uma pessoa de poucos conhecimentos, mas que entende bem as interações do pouco que conhece, tem um valor infinitamente maior do que aquele que conhece de tudo, mas entende pouco. O primeiro sempre viverá melhor, pois é quem conseguirá adaptar o que sabe para sua vida, e entenderá melhor seu meio, reagirá e lidará melhor com ele.

          Pessoas de intelecto elevado tendem para o lado do conhecimento abstrato, enquanto os outros se contentam com o conhecimento empírico. O conhecimento empírico advém de uma experiência ou aprendizagem, é independente do observador. O abstrato prima por não ser uma experiência em si. É estruturado a partir de conhecimentos empíricos e lógica, e tem como resultado pensamentos coerentes e conceituais, sendo dependente de cada sujeito em particular para estrutura-lo. Ele está para uma sensação assim como o empírico está para um objeto. Alguns argumentariam precipitadamente que a supervalorização do conhecimento abstrato teria como consequência a desvalorização a ciência. Se enganam, a ciência tem como fim o conhecimento empírico, mas uma de suas principais ferramentas é o raciocínio abstrato. Pela falta do conhecimento de todas as relações existentes em dado fenômeno, uma teoria sobre ele é estruturada com auxílio de conhecimentos empíricos relacionados e da lógica.

(continua…)

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